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Já alguma vez se perguntou por que razão os defensores das criptomoedas continuam a falar sobre dinheiro de mercadoria versus dinheiro fiduciário? Na realidade, é isso que está no cerne do motivo pelo qual o Bitcoin e outras criptomoedas existem em primeiro lugar.
Deixe-me explicar a diferença fundamental. O dinheiro fiduciário é o que os governos emitem — não tem qualquer respaldo físico; apenas o decreto de que é valioso. O dólar norte-americano, o euro, o iene — todos são fiduciários. O seu valor depende inteiramente da confiança pública e da gestão do banco central. Entretanto, o dinheiro de mercadoria é apoiado por algo físico e real, como ouro ou prata. Mantém valor porque o material em si é valioso, independentemente do que qualquer governo diga.
É aqui que as coisas ficam interessantes para os mercados. O dinheiro fiduciário dá aos governos uma flexibilidade enorme. Os bancos centrais podem imprimir mais quando quiserem estimular a economia, ajustar as taxas de juro, controlar a inflação — todas estas alavancas de política. Mas essa flexibilidade vem com risco. Se imprimirem demasiado, ocorre desvalorização. O poder de compra diminui. Vimos isto acontecer inúmeras vezes ao longo da história.
O dinheiro de mercadoria funciona de forma diferente. Como está ligado a um recurso físico finito, como o ouro, não pode ser simplesmente criado em maior quantidade. A oferta é limitada pelo que existe de facto. Isto restringe naturalmente a inflação — não pode desvalorizar a moeda imprimindo mais quando há apenas uma quantidade limitada de ouro no mundo. Qual é a compensação? Menos flexibilidade económica. Se a economia precisar de estímulo, mas estiver “presa” a um padrão de mercadoria, fica paralisada.
É precisamente por isso que os EUA abandonaram o padrão-ouro. Em 1933, deixaram-no para transações internas. Em 1971, encerraram completamente a convertibilidade internacional. O dólar tornou-se um fiduciário puro, dando aos decisores políticos a liberdade de responder a crises económicas sem ficar limitado por reservas físicas de ouro.
Quando comparamos dinheiro fiduciário vs dinheiro de mercadoria em termos de utilização no dia-a-dia, o fiduciário ganha em liquidez e conveniência. Transfere-se instantaneamente, funciona globalmente e facilita biliões de transações diárias. O dinheiro de mercadoria é mais lento, menos divisível e mais difícil de movimentar. Experimente pagar o seu café com ouro e veja como corre.
Mas há um senão nos sistemas fiduciários — são vulneráveis à inflação se forem mal geridos. O dinheiro de mercadoria resiste à inflação naturalmente porque a oferta não pode expandir-se para além do que existe. Não há risco de inflação quando a sua moeda é literalmente ouro.
Esta tensão entre flexibilidade e estabilidade é o que impulsiona grande parte do debate sobre criptomoedas. O Bitcoin foi literalmente criado em resposta à crise financeira de 2008 e à impressão ilimitada de dinheiro fiduciário. Foi concebido para imitar a escassez do dinheiro de mercadoria — apenas 21 milhões alguma vez existirão — mas com a transferibilidade digital do fiduciário. Em teoria, obtém-se o melhor dos dois mundos.
As economias modernas funcionam com dinheiro fiduciário porque os governos precisam dessa flexibilidade de política. Mas as características de estabilidade do dinheiro de mercadoria nunca deixaram de atrair pessoas que não confiam nos bancos centrais ou que se preocupam com a desvalorização da moeda. É uma discussão que tem vindo a acontecer há séculos e provavelmente continuará para sempre.