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O preço do café robusta recupera à medida que o real brasileiro se valoriza; as dinâmicas globais de oferta reconfiguram o mercado
O preço do café robusta tem mostrado volatilidade significativa nas últimas semanas, com contratos de maio do ICE robusta subindo +72 pontos (+2,02%) nas negociações recentes. A recuperação ocorreu como parte de uma recuperação mais ampla do mercado de café, com o café arábica de maio avançando +6,00 pontos (+2,16%) após perdas anteriores. O catalisador para essa reversão foi o fortalecimento do real brasileiro, que desestimulou vendas de exportação e levou os traders a cobrir posições vendidas nos mercados futuros.
O real brasileiro valorizou-se frente ao dólar, atingindo níveis próximos aos máximos de 1,75 anos, com ganho de +0,38%. Quando o real se fortalece, os produtores brasileiros de café ficam menos incentivados a vender suas colheitas para exportação a preços atuais, reduzindo a pressão de oferta imediata nos mercados globais.
Oferta global de café atinge níveis recordes
Apesar da recuperação de preços de curto prazo, o cenário fundamental permanece baixista para as commodities de café. A agência de previsão agrícola do Brasil (Conab) anunciou que a produção de café de 2026 atingirá um recorde de 66,2 milhões de sacos — um aumento de +17,2% em relação ao ano anterior. Mais significativamente, a produção de arábica sozinha deve subir +23,2%, atingindo 44,1 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta crescerá +6,3%, chegando a 22,1 milhões de sacos.
As condições climáticas também reforçaram a perspectiva de oferta. Na maior região produtora de arábica do Brasil, Minas Gerais, as chuvas recentes totalizaram 62,8 mm na semana que terminou em 13 de fevereiro, representando 138% da média histórica. Essa umidade adequada apoia o desenvolvimento das plantações e sinaliza colheitas futuras saudáveis.
Vietname, maior produtor mundial de robusta, está inundando os mercados globais com exportações em alta. As remessas de café do país subiram +38,3% em janeiro em relação ao ano anterior, totalizando 198.000 toneladas métricas. Para o ano completo de 2025, as exportações do Vietname aumentaram +17,5%, atingindo 1,58 milhão de toneladas métricas. Para o futuro, a produção de 2025/26 do Vietname está prevista para subir +6%, atingindo um máximo de 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacos), pressionando ainda mais os preços do robusta globalmente.
Acúmulo de estoques no mercado aumenta a pressão de preços
Os estoques de café monitorados pelas bolsas se recuperaram significativamente de seus mínimos, agravando o cenário baixista. As ações de arábica na ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 396.513 sacos em 18 de novembro, mas se recuperaram para um máximo de 3,75 meses, de 461.829 sacos, no início de janeiro. Da mesma forma, os estoques de robusta atingiram um mínimo de 14 meses, de 4.012 lotes em dezembro, antes de se recuperarem para um máximo de 2,75 meses, de 4.662 lotes, no final de janeiro. Essa reconstrução de estoques normalmente pressiona os preços, pois os traders percebem uma redução na escassez.
Sinais mistos de atividade de exportação e produção regional
As exportações de café do Brasil em janeiro caíram -42,4% em relação ao ano anterior, para 141.000 toneladas métricas, oferecendo suporte temporário aos preços ao sinalizar embarques mais restritos a curto prazo. Por outro lado, a produção de café na Colômbia enfraqueceu, com a produção de janeiro caindo -34% em relação ao ano anterior, para 893.000 sacos, segundo a Federação Nacional de Café. Como o segundo maior produtor de arábica do mundo, a redução na produção colombiana apoia os preços ao diminuir a disponibilidade global de arábica.
A Organização Internacional do Café informou que as exportações globais de café do ano comercial atual (outubro a setembro) caíram -0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo que os volumes de exportação estão se estabilizando, em vez de expandir dramaticamente.
Perspectiva de produção de longo prazo aponta para excesso de oferta no mercado
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma perspectiva de longo prazo em sua previsão de dezembro. A agência projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará +2,0%, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Contudo, a composição é importante: a produção de arábica deve diminuir -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta deve subir +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. Essa mudança para uma maior oferta de robusta representa uma resistência estrutural aos preços do robusta.
A produção do Brasil em 2025/26 está agora prevista em 63 milhões de sacos (queda de -3,1% em relação ao ano anterior), uma revisão ligeiramente menor, mas ainda elevada. A produção do Vietname em 2025/26 deve subir +6,2%, atingindo 30,8 milhões de sacos, um máximo de 4 anos que reforça o domínio da Ásia na oferta de café. Os estoques finais globais de 2025/26 estão previstos para cair -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25 — uma redução modesta de estoques que pode oferecer algum suporte aos preços, mas provavelmente não reverterá dramaticamente a dinâmica de oferta baixista.
A alta de hoje no preço do robusta reflete alívio técnico de curto prazo e fatores cambiais, e não uma melhora fundamental na oferta e demanda. Embora a força do real brasileiro temporariamente reduza os incentivos à exportação, a realidade subjacente de produção global recorde e níveis elevados de estoques sugere uma pressão contínua sobre os preços do robusta no futuro.