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A crise de confiança na economia do Reino Unido aprofunda-se além do choque pandémico: as empresas reagem às falhas de política
Líderes empresariais do Reino Unido enfrentam agora uma crise de confiança que supera até os dias mais sombrios do confinamento devido à COVID-19. A mais recente pesquisa do Instituto de Diretores (IoD) revela uma realidade dura: a perspetiva económica deteriorou-se ao seu pior nível de sempre, com métricas de confiança a despencar para -72 em julho — uma mudança dramática em relação a -53 apenas um mês antes. O único período comparável foi em abril de 2020, durante o pico das restrições de confinamento, quando a leitura atingiu -69.
Os Números Contam uma História Preocupante
Desde que o IoD começou a acompanhar o sentimento em 2016, a leitura de julho representa um território inexplorado. Entre quase 900 líderes empresariais entrevistados, a mensagem é inequívoca: quase 85% manifestam pouca fé na capacidade do governo de estimular a recuperação económica. Ainda mais impressionante, mais de dois terços acreditam que as políticas governamentais atuais se mostraram “muito pouco eficazes” na resolução dos desafios económicos. Isto representa uma perda fundamental de confiança na direção económica do país durante a fase de recuperação do confinamento e além.
Novo Governo, Mesmas Velhas Problemas
Quando o governo trabalhista do Primeiro-Ministro Keir Starmer assumiu o poder no início de julho, as empresas mantinham um otimismo cauteloso. A administração tinha feito campanha com foco em investimento para crescimento, melhoria dos serviços públicos e mecanismos para atrair capital. A realidade, no entanto, apresentou uma narrativa diferente. Algumas semanas após tomar posse, o governo implementou aumentos significativos no imposto corporativo para financiar iniciativas sociais e de infraestrutura. Em vez de catalisar a atividade empresarial, estas medidas impuseram uma pressão adicional às empresas já pressionadas.
Anna Leach, chefe de análise económica do IoD, articulou a principal queixa: as empresas estão a lidar com as consequências económicas destes aumentos fiscais enquanto testemunham um progresso mínimo no ambiente empresarial mais amplo. O veredicto do setor privado é direto — estão a pagar mais enquanto recebem menos. As ações iniciais do governo não conseguiram restabelecer a confiança dos investidores nem demonstrar uma estratégia coerente para a revitalização económica.
Planos de Investimento e Crescimento Estagnados
A deterioração do sentimento geral manifestou-se em decisões concretas das empresas. O índice separado do IoD que mede a confiança no desempenho ao nível das empresas caiu de positivo 3 em junho para negativo 9 em julho — a segunda leitura mais baixa em quase uma década de monitorização. Esta mudança reflete uma retirada preocupante dos planos de expansão em toda a economia.
As empresas estão a implementar estratégias defensivas: adiar projetos de expansão, reduzir orçamentos operacionais e atrasar iniciativas de contratação. As projeções de crescimento da receita foram consideravelmente revistas em baixa, assim como as expectativas de expansão da força de trabalho. As empresas preparam-se para custos salariais elevados e despesas operacionais crescentes nos próximos meses. Os dados do Índice de Gestores de Compras (PMI) da (S&P Global) corroboram este pessimismo, mostrando que o crescimento da atividade do setor privado desacelerou acentuadamente em julho, após um desempenho robusto na primeira metade de 2024. As empresas estão a cortar posições, a reduzir recrutamentos e a implementar congelamentos de contratação.
Setor de Exportação Sob Cerco
O pessimismo estende-se ao setor de exportação, tradicional motor económico vital. O índice de intenções de exportação do IoD mudou para território negativo pela primeira vez desde 2023. Este desenvolvimento mina diretamente as ambições comerciais do Labour, que incluem a busca de um acordo bilateral com os Estados Unidos. As empresas citam preocupações crescentes: tensões comerciais, instabilidade geopolítica, cadeias de abastecimento frágeis e incerteza macroeconómica global. Para os exportadores — historicamente mais avessos ao risco do que as empresas focadas no mercado interno — a combinação de obstáculos políticos específicos do Reino Unido e a volatilidade internacional criou uma paralisia que sufoca as aspirações de crescimento.
O contraste entre a receção inicial do mercado ao Labour e o sentimento atual ilustra uma desconexão fundamental. Embora os esforços diplomáticos possam mostrar promessas ocasionais, eles são insuficientes para superar os desafios estruturais cada vez mais profundos e os custos induzidos por políticas que as empresas do Reino Unido enfrentam diariamente.