Recentemente, ao conversar com amigos sobre pagamentos transfronteiriços, percebi que muitas pessoas realmente não distinguem a diferença entre o RMB offshore e o RMB onshore. Eu mesmo só entendi isso recentemente, então decidi organizar minhas ideias.



Falando nisso, esse assunto começa com o grau de abertura da conta de capital da China. Como o Banco Central controla bastante o mercado financeiro interno, surgiram dois sistemas — um usado dentro do país e outro usado fora dele.

O RMB onshore é o CNY que usamos normalmente dentro da China. O RMB negociado na Bolsa de Câmbio de Xangai é esse, sob controle direto do Banco Central, com limites claros na flutuação cambial, geralmente até 2% por dia. Bancos, empresas e indivíduos fazem transações diárias nesse mercado, como pagamento de salários, compras e comércio de importação e exportação.

O RMB offshore é diferente, com o código CNH. É o RMB negociado em Hong Kong, Londres, Singapura e outros lugares. Aqui, o Banco Central não tem controle direto, e a taxa de câmbio é totalmente determinada pela oferta e demanda do mercado internacional. Os participantes são bancos estrangeiros, fundos de investimento, empresas multinacionais — eles usam o RMB offshore para investimentos transfronteiriços, liquidação de comércio internacional e negociações de derivativos financeiros.

Na essência: o CNY é uma gestão “paternalista” do Banco Central, enquanto o CNH é uma “liberdade de negociação” no mercado internacional.

Por que são necessárias duas versões? Basicamente, para promover a internacionalização do RMB ao mesmo tempo em que se protege a estabilidade financeira doméstica. O mercado onshore garante que a economia interna não entre em caos, enquanto o offshore facilita que estrangeiros mantenham e usem RMB, reduzindo custos de transação transfronteiriça. Projetos como a Belt and Road frequentemente usam CNH para liquidação.

Na verdade, não é só a China que faz isso. Índia com a rupia, Brasil com o real, Malásia com o ringgit, Coreia do Sul com o won — todos têm distinções semelhantes. Os mercados offshore desses países geralmente operam por meio de mercados de contratos a termo sem entrega física. O objetivo dessa estrutura é mais ou menos o mesmo — controlar o fluxo de capitais e evitar que a economia doméstica seja impactada por oscilações do mercado internacional.

Para o cidadão comum, a diferença se manifesta na troca de moeda. Dentro do país, só é possível trocar até 50 mil dólares equivalentes por ano, e é preciso declarar o uso. Mas, se tiver uma conta offshore em Hong Kong, basicamente não há essa restrição. Investimentos também diferem: usando CNY onshore, pode comprar ações na A-Share ou produtos financeiros domésticos; usando RMB offshore, pode comprar ações em Hong Kong ou bonds em dólares de Cingapura.

A volatilidade cambial também é um problema. Se uma empresa importadora pagar em CNH, ela assume um risco cambial maior. Mas os arbitradores gostam disso, pois aproveitam a diferença de preço entre CNY e CNH para lucrar.

Por exemplo: uma empresa exportadora em Xangai recebe 1 milhão de dólares. Se converter dentro da China pelo câmbio CNY, sob controle do Banco Central, a variação será pequena. Mas, se converter na conta offshore em Hong Kong, pelo câmbio CNH, pode ganhar mais ou perder mais, pois o CNH é mais sensível às oscilações. Quando o Federal Reserve aumenta as taxas de juros, o CNH frequentemente se desvaloriza rapidamente, pois há uma venda internacional de RMB. Já o CNY, com intervenção do Banco Central, sofre menos.

No futuro, à medida que a internacionalização do RMB avança, especialmente com o uso crescente do RMB digital no exterior, a diferença de câmbio entre esses dois mercados deve diminuir, eventualmente se igualando. Contudo, nesse processo, o CNH será mais sensível, mais suscetível a choques internacionais, como tensões entre China e EUA, que podem causar volatilidade. O CNY continuará focado na “estabilidade”, com muitas ferramentas do Banco Central à disposição.

Resumindo: o CNY é a versão doméstica do RMB, segura, mas limitada; o CNH é a versão internacional, livre, mas mais volátil. Os dois mercados são como as duas rodas de um carro, impulsionando o RMB rumo ao mundo.
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