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Sobre exchanges sem KYC, tenho recebido muitas perguntas recentemente, então resolvi fazer uma revisão.
Resumidamente, trata-se de plataformas de troca de criptomoedas que não exigem verificação de identidade. Caracterizam-se por não solicitar documentos como comprovativo de identidade ou de morada, permitindo iniciar as negociações imediatamente. Exemplos representativos são DEXs como Uniswap e PancakeSwap, sendo que, em agosto de 2024, o Uniswap tinha cerca de 12 milhões de utilizadores ativos mensais, dominando grande parte do mercado.
Por que é que estas plataformas são utilizadas? Existem várias razões. Primeiro, para quem valoriza a privacidade. Num mundo onde a vigilância e a fuga de dados se tornaram comuns, a possibilidade de negociar anonimamente é bastante atraente. Depois, a facilidade de acesso. Sem KYC, não há espera por aprovação nem necessidade de submissão de documentos. Para quem vive em países com regulamentações rigorosas ou fora do sistema financeiro tradicional, estas plataformas representam uma opção importante. Além disso, a velocidade. Para quem quer entrar rapidamente, a ausência de KYC é uma grande vantagem, permitindo também a criação de múltiplas contas e transferências de fundos ilimitadas.
No entanto, há riscos associados. Quanto maior a anonimidade, maior a atração para fraudes. Problemas no código ou esquemas fraudulentos podem ocorrer, e como não há uma entidade central, não há quem possa intervir. As autoridades reguladoras também estão a reforçar a fiscalização globalmente, e com o avanço da análise de blockchain, há uma possibilidade real de identificação de indivíduos. Utilizar exchanges sem KYC implica riscos legais que não podem ser ignorados.
Existem também limitações funcionais. No Uniswap, por exemplo, não é possível fazer levantamentos em moeda fiduciária, e tokens com baixa liquidez têm pares de negociação limitados. Em novembro de 2023, os fundos depositados em DeFi atingiam cerca de 50 mil milhões de dólares, mas esses fundos não estão totalmente protegidos.
Aqui surge o dilema da descentralização. Embora traga liberdade e autonomia, também pode facilitar lavagem de dinheiro e fraudes. De facto, o antigo mercado negro Hydra usava exchanges sem KYC e mixers de Bitcoin para lavar milhões de dólares em criptomoedas. Em 2022, foi revelado que o Lazarus, da Coreia do Norte, usou Tornado Cash para lavar mais de 600 milhões de dólares roubados do ataque ao Axie Infinity.
Nos bancos tradicionais, existem sistemas de seguro como FSCS ou FDIC. Mas exchanges sem KYC não oferecem esse tipo de proteção. Algumas oferecem seguros próprios, mas com cobertura limitada. Mesmo que haja perdas por hacking ou fraude, na prática, não há quem possa reclamar.
Por isso, ao usar exchanges sem KYC, é fundamental proteger-se. Utilizar passwords fortes, autenticação de dois fatores, VPNs, diversificar os fundos e estar atento a tentativas de phishing. Essas medidas ajudam a reduzir os riscos.
Em suma, exchanges sem KYC oferecem conveniência e privacidade, mas também implicam riscos regulatórios, de segurança e de falta de proteção. Em 2023, o IC3 registou mais de 60 mil queixas relacionadas com fraudes em criptomoedas, com perdas estimadas superiores a 5,6 mil milhões de dólares. Quem usar estas plataformas deve compreender bem os riscos e assumir a responsabilidade pela gestão dos seus fundos.