Recentemente, vídeos de “alquimia doméstica” têm feito sucesso na internet, mostrando um influenciador a extrair ouro de pilhas de cartões SIM antigos e chips eletrónicos. Os vídeos afirmam que, no final, foram refinados 191,73 gramas de ouro, avaliado em mais de 20 mil euros ao preço atual. Ainda mais absurdo, algumas contas de mídia social alegam que cada cartão SIM comum contém 0,02 gramas de ouro, e até afirmam que os chips de cartões de crédito têm maior teor de ouro. Essas afirmações geraram debate entre os utilizadores, mas a última reportagem da CCTV desfez completamente esse “sonho de ouro”.
Comparação de dados revela a verdade: as mentiras são pelo menos 1000 vezes menores
De acordo com a reportagem da CCTV, o profissional Lin, que trabalha há anos na recuperação de metais preciosos, revelou a verdade aos jornalistas. Ele explicou que, atualmente, um cartão Nano-SIM comum pode render cerca de 0,02 miligramas de ouro, o que já é um bom resultado. A alegação de “0,02 gramas” na internet é, na realidade, 1000 vezes maior. Isso não é apenas uma discrepância numérica, mas uma grave enganação ao público.
Este profissional também já publicou vídeos de extração de ouro em plataformas de vídeo curto. Utilizou mais de 9700 gramas de cartões SIM antigos e chips de circuito integrado descartados, e conseguiu extrair apenas 1,93 gramas de ouro, o que equivale a cerca de 0,1 miligramas de ouro por cartão. Ele admitiu ainda que o custo de coletar esses cartões descartados já consome toda a pequena margem de lucro da recuperação.
Quanto ao vídeo viral na internet, a pessoa envolvida esclareceu que o material utilizado totalizou cerca de 2 toneladas, e não a quantidade mostrada no vídeo. Além disso, o material não era composto apenas por cartões SIM ou chips de crédito, mas por resíduos de diversos chips eletrónicos com revestimento de ouro. Em outras palavras, das 2 toneladas de material, apenas cerca de 191 gramas de ouro poderiam ser extraídas, com um teor de ouro extremamente baixo.
Esclarecimento científico: por que os cartões de telemóvel são revestidos a ouro?
Pergunta-se por que os dispositivos eletrónicos usam ouro. O Dr. Sun Yafei, químico da Universidade de Tsinghua e autor de livros de divulgação científica, explica a ciência por trás disso.
Nos dispositivos eletrónicos, muitas circuitos e contactos são feitos de cobre. O problema é que, com o uso prolongado, o cobre reage com a humidade e o dióxido de carbono do ar, formando óxidos de cobre ou verdete, que não conduzem eletricidade. Isso faz com que os pontos de contacto se tornem “pontos mortos”, levando à falha do aparelho. Para evitar isso, os engenheiros precisam de um metal que impeça a oxidação do cobre, usando uma camada de proteção. O ouro é ideal, pois não sofre corrosão sob condições normais, sendo uma camada de proteção eficaz.
Por isso, desde cartões SIM até teclados e outros dispositivos eletrónicos, a adição de ouro não é um luxo, mas uma medida necessária para garantir o funcionamento adequado.
Extração de ouro por profissionais e os limites legais
Por trás dos vídeos aparentemente mágicos de “alquimia”, há armadilhas legais e de segurança. A técnica mais comum para extrair ouro de resíduos eletrónicos é o uso de “Água Régia” — uma mistura altamente corrosiva de ácido nítrico concentrado e ácido clorídrico concentrado, em proporções específicas. Esses ácidos são extremamente perigosos e requerem conhecimentos especializados; um erro pode causar ferimentos graves.
Mais importante, a extração por indivíduos sem autorização viola a lei. O Dr. Sun Yafei explica que o ácido nítrico e o ácido clorídrico são produtos controlados na China, e só podem ser adquiridos mediante registro na polícia. Sem uma justificativa legal, os cidadãos não podem obter esses químicos de forma legal. Usar Água Régia para dissolver ouro constitui uma atividade ilegal.
Impacto ambiental e custos reais: só empresas de grande escala podem lucrar
Os gases e resíduos líquidos gerados durante a extração também representam riscos ambientais sérios. Se descartados sem tratamento adequado, podem causar poluição irreversível ao ecossistema, algo que nenhum indivíduo pode assumir.
Do ponto de vista empresarial, as empresas de recuperação de metais preciosos precisam de uma licença de operação de resíduos perigosos e de inspeções regulares. O processo envolve tratamentos ambientais, queima e técnicas especiais para recuperar a camada de ouro, tudo com custos elevados. O Sr. Lin afirma que, para o cidadão comum, coletar um ou dois quilos de cartões descartados ou até mil ou duas mil unidades não tem sentido económico. Apenas empresas de grande escala, com operações regulamentadas, conseguem obter algum lucro na recuperação de ouro.
Os vídeos de “alquimia” que viralizam na internet atraem por estimular a imaginação de ganhos fáceis. Mas, na realidade, esses vídeos muitas vezes falsificam dados, escondem custos ou ignoram riscos legais e ambientais. A recuperação real de metais preciosos é uma indústria séria, que exige licenças, conhecimento técnico e altos investimentos — não uma “fórmula mágica” para enriquecer rapidamente.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
CCTV desmente a armadilha da "extração de ouro" com cartão SIM: o valor do ouro difere por mil, a extração pessoal ultrapassa a linha vermelha da lei
Recentemente, vídeos de “alquimia doméstica” têm feito sucesso na internet, mostrando um influenciador a extrair ouro de pilhas de cartões SIM antigos e chips eletrónicos. Os vídeos afirmam que, no final, foram refinados 191,73 gramas de ouro, avaliado em mais de 20 mil euros ao preço atual. Ainda mais absurdo, algumas contas de mídia social alegam que cada cartão SIM comum contém 0,02 gramas de ouro, e até afirmam que os chips de cartões de crédito têm maior teor de ouro. Essas afirmações geraram debate entre os utilizadores, mas a última reportagem da CCTV desfez completamente esse “sonho de ouro”.
Comparação de dados revela a verdade: as mentiras são pelo menos 1000 vezes menores
De acordo com a reportagem da CCTV, o profissional Lin, que trabalha há anos na recuperação de metais preciosos, revelou a verdade aos jornalistas. Ele explicou que, atualmente, um cartão Nano-SIM comum pode render cerca de 0,02 miligramas de ouro, o que já é um bom resultado. A alegação de “0,02 gramas” na internet é, na realidade, 1000 vezes maior. Isso não é apenas uma discrepância numérica, mas uma grave enganação ao público.
Este profissional também já publicou vídeos de extração de ouro em plataformas de vídeo curto. Utilizou mais de 9700 gramas de cartões SIM antigos e chips de circuito integrado descartados, e conseguiu extrair apenas 1,93 gramas de ouro, o que equivale a cerca de 0,1 miligramas de ouro por cartão. Ele admitiu ainda que o custo de coletar esses cartões descartados já consome toda a pequena margem de lucro da recuperação.
Quanto ao vídeo viral na internet, a pessoa envolvida esclareceu que o material utilizado totalizou cerca de 2 toneladas, e não a quantidade mostrada no vídeo. Além disso, o material não era composto apenas por cartões SIM ou chips de crédito, mas por resíduos de diversos chips eletrónicos com revestimento de ouro. Em outras palavras, das 2 toneladas de material, apenas cerca de 191 gramas de ouro poderiam ser extraídas, com um teor de ouro extremamente baixo.
Esclarecimento científico: por que os cartões de telemóvel são revestidos a ouro?
Pergunta-se por que os dispositivos eletrónicos usam ouro. O Dr. Sun Yafei, químico da Universidade de Tsinghua e autor de livros de divulgação científica, explica a ciência por trás disso.
Nos dispositivos eletrónicos, muitas circuitos e contactos são feitos de cobre. O problema é que, com o uso prolongado, o cobre reage com a humidade e o dióxido de carbono do ar, formando óxidos de cobre ou verdete, que não conduzem eletricidade. Isso faz com que os pontos de contacto se tornem “pontos mortos”, levando à falha do aparelho. Para evitar isso, os engenheiros precisam de um metal que impeça a oxidação do cobre, usando uma camada de proteção. O ouro é ideal, pois não sofre corrosão sob condições normais, sendo uma camada de proteção eficaz.
Por isso, desde cartões SIM até teclados e outros dispositivos eletrónicos, a adição de ouro não é um luxo, mas uma medida necessária para garantir o funcionamento adequado.
Extração de ouro por profissionais e os limites legais
Por trás dos vídeos aparentemente mágicos de “alquimia”, há armadilhas legais e de segurança. A técnica mais comum para extrair ouro de resíduos eletrónicos é o uso de “Água Régia” — uma mistura altamente corrosiva de ácido nítrico concentrado e ácido clorídrico concentrado, em proporções específicas. Esses ácidos são extremamente perigosos e requerem conhecimentos especializados; um erro pode causar ferimentos graves.
Mais importante, a extração por indivíduos sem autorização viola a lei. O Dr. Sun Yafei explica que o ácido nítrico e o ácido clorídrico são produtos controlados na China, e só podem ser adquiridos mediante registro na polícia. Sem uma justificativa legal, os cidadãos não podem obter esses químicos de forma legal. Usar Água Régia para dissolver ouro constitui uma atividade ilegal.
Impacto ambiental e custos reais: só empresas de grande escala podem lucrar
Os gases e resíduos líquidos gerados durante a extração também representam riscos ambientais sérios. Se descartados sem tratamento adequado, podem causar poluição irreversível ao ecossistema, algo que nenhum indivíduo pode assumir.
Do ponto de vista empresarial, as empresas de recuperação de metais preciosos precisam de uma licença de operação de resíduos perigosos e de inspeções regulares. O processo envolve tratamentos ambientais, queima e técnicas especiais para recuperar a camada de ouro, tudo com custos elevados. O Sr. Lin afirma que, para o cidadão comum, coletar um ou dois quilos de cartões descartados ou até mil ou duas mil unidades não tem sentido económico. Apenas empresas de grande escala, com operações regulamentadas, conseguem obter algum lucro na recuperação de ouro.
Os vídeos de “alquimia” que viralizam na internet atraem por estimular a imaginação de ganhos fáceis. Mas, na realidade, esses vídeos muitas vezes falsificam dados, escondem custos ou ignoram riscos legais e ambientais. A recuperação real de metais preciosos é uma indústria séria, que exige licenças, conhecimento técnico e altos investimentos — não uma “fórmula mágica” para enriquecer rapidamente.