No início deste mês, o Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra divulgaram, respetivamente, as suas decisões de taxa de juros, e as diferenças na orientação de política entre os dois bancos centrais intensificaram a atenção do mercado para a direção do euro/dólar. O BCE optou por manter a política inalterada, enquanto o BoE enfrenta uma decisão mais difícil quanto ao caminho de redução de juros, e esta divergência está a influenciar profundamente o panorama do mercado cambial global.
BCE mantém a política, euro/dólar valoriza-se como novo foco de política
O Banco Central Europeu decidiu manter a taxa de depósito em 2%. A inflação na zona euro caiu para 1,9%, abaixo do objetivo de 2%, o que sustenta a estabilidade de longo prazo da política. Desde junho do ano passado, o BCE mantém as taxas inalteradas há mais de seis meses, e o mercado acredita que o ciclo de cortes de juros terminou.
No entanto, o foco do mercado está agora na taxa de câmbio. Recentemente, o euro valorizou-se face ao dólar, mas essa valorização não reflete melhorias nos fundamentos económicos da zona euro, sendo mais uma reação à expectativa de menor atratividade dos ativos americanos. Analistas da Evercore ISI sugerem que a presidente do BCE, Christine Lagarde, poderá abordar este tema na declaração desta decisão.
A questão principal é que uma valorização excessiva do euro pode, por sua vez, conter a inflação. Se o euro se fortalecer ainda mais, o custo das importações diminuirá, pressionando a inflação para baixo. Steven Barrow, responsável pela estratégia de moedas G-10 do Standard Chartered, afirma que, se o euro/dólar ultrapassar a barreira psicológica de 1,25, a queda da inflação poderá ser maior do que o esperado pelo banco central, levando-o a recomeçar a redução de juros. Contudo, para isso acontecer, o euro precisaria subir entre 1,25 e 1,30 dólares, o que, num contexto de procura fraca, exige condições bastante rigorosas.
BoE enfrenta dilema, o timing do corte de juros é foco do mercado
Ao contrário do BCE, que mantém a política, o Banco de Inglaterra enfrenta uma situação mais complexa. Os decisores do BoE concordaram que uma nova redução de juros é provável ainda este ano, mas há divergências quanto ao momento exato.
A principal razão é que a inflação no Reino Unido está mais elevada. Em dezembro, a inflação atingiu 3,4%, o nível mais alto entre os G7, muito acima do objetivo de 2%. Apesar de o banco esperar que a inflação volte ao alvo por volta do meio do ano, a alta atual limita o espaço de manobra política. Além disso, a incerteza quanto ao ajuste salarial em 2026 aumenta o risco de uma nova escalada inflacionária.
Economistas da Oxford Economics, como Edward Allenby, indicam que a maioria dos membros do BoE considera que a reunião de final de abril será o momento mais provável para uma nova redução de juros. No entanto, analistas mais cautelosos, como Lee Hardman, do Mitsubishi UFJ Bank, acreditam que o banco pode precisar esperar até a reunião de maio para cortar juros. Essa postergação na expectativa de corte tem fortalecido a libra.
Como a divergência de políticas dos bancos centrais influencia o euro/dólar
As diferenças na orientação de política entre o BCE e o BoE acabam por se refletir no mercado cambial através do mecanismo de câmbio. A expectativa de adiamento do corte de juros pelo BoE aumenta a atratividade relativa da libra, enquanto a pressão de valorização do euro limita o espaço de manobra do BCE. Estes fatores, em conjunto, fazem do euro/dólar o par mais destacado no mercado cambial global.
De uma perspetiva macro, a interação entre política monetária e câmbio forma uma cadeia de feedback: a valorização do câmbio restringe a inflação, a inflação baixa reforça a expectativa de cortes de juros, e esses cortes, por sua vez, pressionam ainda mais a baixa do câmbio. Nesse ciclo, o desempenho do euro/dólar refletirá diretamente as perspetivas de crescimento das duas maiores economias e os fluxos de capital. Nos próximos meses, a volatilidade deste par será uma janela importante para o mercado avaliar o apetite global por risco.
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Euro/Dólar enfrenta momento crucial, divergência de políticas do BCE e do Banco de Inglaterra impulsiona mudança no mercado cambial
No início deste mês, o Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra divulgaram, respetivamente, as suas decisões de taxa de juros, e as diferenças na orientação de política entre os dois bancos centrais intensificaram a atenção do mercado para a direção do euro/dólar. O BCE optou por manter a política inalterada, enquanto o BoE enfrenta uma decisão mais difícil quanto ao caminho de redução de juros, e esta divergência está a influenciar profundamente o panorama do mercado cambial global.
BCE mantém a política, euro/dólar valoriza-se como novo foco de política
O Banco Central Europeu decidiu manter a taxa de depósito em 2%. A inflação na zona euro caiu para 1,9%, abaixo do objetivo de 2%, o que sustenta a estabilidade de longo prazo da política. Desde junho do ano passado, o BCE mantém as taxas inalteradas há mais de seis meses, e o mercado acredita que o ciclo de cortes de juros terminou.
No entanto, o foco do mercado está agora na taxa de câmbio. Recentemente, o euro valorizou-se face ao dólar, mas essa valorização não reflete melhorias nos fundamentos económicos da zona euro, sendo mais uma reação à expectativa de menor atratividade dos ativos americanos. Analistas da Evercore ISI sugerem que a presidente do BCE, Christine Lagarde, poderá abordar este tema na declaração desta decisão.
A questão principal é que uma valorização excessiva do euro pode, por sua vez, conter a inflação. Se o euro se fortalecer ainda mais, o custo das importações diminuirá, pressionando a inflação para baixo. Steven Barrow, responsável pela estratégia de moedas G-10 do Standard Chartered, afirma que, se o euro/dólar ultrapassar a barreira psicológica de 1,25, a queda da inflação poderá ser maior do que o esperado pelo banco central, levando-o a recomeçar a redução de juros. Contudo, para isso acontecer, o euro precisaria subir entre 1,25 e 1,30 dólares, o que, num contexto de procura fraca, exige condições bastante rigorosas.
BoE enfrenta dilema, o timing do corte de juros é foco do mercado
Ao contrário do BCE, que mantém a política, o Banco de Inglaterra enfrenta uma situação mais complexa. Os decisores do BoE concordaram que uma nova redução de juros é provável ainda este ano, mas há divergências quanto ao momento exato.
A principal razão é que a inflação no Reino Unido está mais elevada. Em dezembro, a inflação atingiu 3,4%, o nível mais alto entre os G7, muito acima do objetivo de 2%. Apesar de o banco esperar que a inflação volte ao alvo por volta do meio do ano, a alta atual limita o espaço de manobra política. Além disso, a incerteza quanto ao ajuste salarial em 2026 aumenta o risco de uma nova escalada inflacionária.
Economistas da Oxford Economics, como Edward Allenby, indicam que a maioria dos membros do BoE considera que a reunião de final de abril será o momento mais provável para uma nova redução de juros. No entanto, analistas mais cautelosos, como Lee Hardman, do Mitsubishi UFJ Bank, acreditam que o banco pode precisar esperar até a reunião de maio para cortar juros. Essa postergação na expectativa de corte tem fortalecido a libra.
Como a divergência de políticas dos bancos centrais influencia o euro/dólar
As diferenças na orientação de política entre o BCE e o BoE acabam por se refletir no mercado cambial através do mecanismo de câmbio. A expectativa de adiamento do corte de juros pelo BoE aumenta a atratividade relativa da libra, enquanto a pressão de valorização do euro limita o espaço de manobra do BCE. Estes fatores, em conjunto, fazem do euro/dólar o par mais destacado no mercado cambial global.
De uma perspetiva macro, a interação entre política monetária e câmbio forma uma cadeia de feedback: a valorização do câmbio restringe a inflação, a inflação baixa reforça a expectativa de cortes de juros, e esses cortes, por sua vez, pressionam ainda mais a baixa do câmbio. Nesse ciclo, o desempenho do euro/dólar refletirá diretamente as perspetivas de crescimento das duas maiores economias e os fluxos de capital. Nos próximos meses, a volatilidade deste par será uma janela importante para o mercado avaliar o apetite global por risco.