Muitos investidores ficam assustados ao ouvir falar em “ações deslistadas”, acreditando que suas ações podem desaparecer de um dia para o outro. Mas, na realidade, desde que se tenha informações atualizadas e compreenda os mecanismos, ainda há maneiras de minimizar perdas e até reverter a situação em certos casos. Este artigo analisa profundamente a história e o presente das ações deslistadas, ajudando você a evitar caminhos errados na sua jornada de investimento.
O que são ações deslistadas? Por que as empresas são deslistadas
Ações deslistadas são aquelas que estavam negociadas na bolsa de valores, mas deixam de estar por não atenderem aos critérios de listagem ou por solicitação voluntária, tendo sua negociação encerrada. Uma vez deslistadas, os investidores não poderão mais comprar ou vender na bolsa, mas isso não significa que as ações desapareçam completamente; apenas sua liquidez cai drasticamente.
É importante distinguir entre deslistagem e desregulamentação. Deslistagem ocorre quando a empresa sai da bolsa, enquanto desregulamentação refere-se à suspensão ou encerramento de negociação em mercados de balcão (OTC). Os impactos para o investidor também diferem.
As ações deslistadas podem ser removidas por quatro motivos principais:
1. Deslistagem forçada por deterioração financeira
Perda contínua, patrimônio negativo, relatórios de auditores com opiniões negativas ou indefinidas podem levar à deslistagem. Um exemplo famoso é a Chesapeake Energy, dos EUA, que entrou em falência em junho de 2020 e reestruturou-se em fevereiro de 2021. Essas ações representam maior risco para o investidor.
2. Deslistagem por violação de regras de divulgação
Ocorreram por não divulgar informações importantes, reportar receitas falsas ou por uso de informações privilegiadas. Após a revelação de fraudes financeiras da Luckin Coffee em abril de 2020, a empresa foi retirada da NASDAQ, servindo de alerta para investidores cautelosos na escolha de ações.
3. Deslistagem voluntária por privatização
Algumas empresas optam por sair da bolsa por aquisição ou privatização. A Dell Technologies, que saiu da NASDAQ em 2013, é um exemplo. Em geral, essa saída voluntária costuma vir acompanhada de oportunidades de recompra.
4. Deslistagem por baixa de valor de mercado
Quando o valor de mercado da empresa fica abaixo do mínimo exigido pela bolsa por vários anos, ela pode ser deslistada. Essas ações apresentam risco relativamente menor, mas a liquidez continua sendo uma preocupação.
Os quatro desfechos possíveis para ações deslistadas: como seu valor pode evoluir
Após a deslistagem, o destino do valor da ação depende do motivo. É fundamental entender que diferentes cenários levam a resultados distintos:
Cenário 1: Recompra por privatização — potencial de valorização
Quando a participação de ações negociadas livremente é baixa (10-20%), os principais acionistas podem recomprar suas ações a preços elevados em períodos específicos. Essas ações podem se transformar em boas oportunidades, desde que o investidor acompanhe os anúncios da empresa e aguarde a recompra.
Cenário 2: Falência e liquidação — valor zerado
O cenário mais pessimista. Em processos de falência, a ordem de pagamento é credores → acionistas preferenciais → acionistas comuns. Como acionista comum, você receberá apenas o que sobrar, muitas vezes nada. Essas ações tornam-se inúteis, praticamente papel.
Cenário 3: Queda de valor — venda com desconto
Se a empresa enfrenta declínio e seu valor de mercado despenca, a liquidez das ações deslistadas fica severamente prejudicada. Pode haver compradores no mercado secundário ou fora dele, mas a preços muito abaixo do valor de compra. Caso contrário, o investidor pode perder tudo, com perdas de até 100%.
Cenário 4: Deslistagem por irregularidades — futuro incerto
Ações deslistadas por violação de regras de divulgação podem ficar “congeladas” enquanto a empresa passa por processos legais. Durante esse período, o investidor fica sem acesso ao capital investido, aguardando uma resolução que pode levar anos.
Processo de deslistagem e sinais de alerta
A deslistagem não ocorre de repente; geralmente leva meses, dando tempo ao investidor para agir. Conhecer o processo ajuda a identificar oportunidades de saída:
Fase de aviso: A bolsa envia uma “notificação de advertência”, e o nome da ação recebe um marcador como “ST” ou um asterisco (exemplo: “*XX eletrônico”). Este é o primeiro sinal de alerta. Nesse momento, deve-se ficar atento e avaliar riscos.
Período de recuperação: A empresa tem de 3 a 6 meses de “prazo de recuperação”, podendo apresentar relatórios adicionais ou atrair investidores para melhorar sua situação financeira. Se a empresa agir de forma proativa, o risco de deslistagem pode diminuir.
Fase de deliberação: Se as ações não melhorarem, a bolsa realiza uma reunião de deliberação para decidir oficialmente pela deslistagem. A partir daí, a probabilidade de retirada do mercado aumenta significativamente.
Encerramento: Anúncio oficial da data de deslistagem, e após o último dia de negociação, as ações deixam de ser negociadas na bolsa, entrando em fase de negociação fora de mercado ou liquidação.
Cinco estratégias para lidar com ações deslistadas
Quando a deslistagem é inevitável, o investidor deve adotar estratégias específicas, dependendo da situação:
1. Acompanhar atentamente os comunicados da empresa
Antes da deslistagem, a empresa divulga no “Observatório de Informações” a data de encerramento e possíveis alternativas. O investidor deve monitorar essas informações ou consultar seu corretor para verificar opções como recompra ou transferência para o mercado de balcão. Agir rapidamente é fundamental.
2. Avaliar e participar de recompra
Se a empresa oferecer recompra, o investidor deve cumprir o prazo para participar, avaliando se o preço de recompra é justo e se vale a pena continuar com o investimento. A participação pode garantir algum retorno, caso a recompra seja bem-sucedida.
3. Transferir para o mercado de balcão (OTC)
Algumas ações deslistadas continuam negociando em mercados de balcão. Apesar de menor liquidez, ainda é possível comprar e vender por corretoras. Se a empresa melhorar sua situação, há chances de reabrir o capital futuramente, justificando manter a posição.
4. Transferência por acordo fora de mercado
Se não houver recompra ou mercado de balcão, o investidor pode negociar com outros acionistas para transferir suas ações por meio de acordo privado, mediante transferência de propriedade na companhia. Ainda há uma saída possível, embora mais complexa.
5. Compensar perdas por falência
Se a ação for considerada irrecuperável por falência, o investidor pode declarar a perda como prejuízo na declaração de Imposto de Renda, reduzindo o imposto devido sobre ganhos futuros. Consultar um contador é recomendado para garantir a correta declaração.
A diferença entre ações deslistadas e ações em suspensão
Muitos investidores iniciantes confundem “suspensão” com “deslistagem”, levando a decisões equivocadas. Na prática, há diferenças essenciais:
Característica
Ações em Suspensão
Ações Deslistadas
Situação de negociação
Temporária, pode ser retomada
Encerrada definitivamente
Saem da bolsa?
Não, suspensão temporária
Sim, retirada definitiva
Valor do investimento
Geralmente permanece estável durante suspensão
Pode sofrer grande variação ou zerar
Ações devem agir?
Monitorar comunicados e aguardar retomada
Avaliar risco e decidir sobre saída ou manutenção
Suspensão ocorre por eventos como reestruturações ou oscilações anormais, sendo temporária. Deslistagem é definitiva, exigindo ação rápida do investidor para evitar perdas maiores.
Como prevenir riscos de deslistagem? Proteja seu portfólio
Ao invés de reagir passivamente, é melhor prevenir:
Filtragem na escolha de ações: Antes de comprar, analise o histórico financeiro, perspectivas de mercado, conformidade com requisitos de listagem e sinais de problemas, como prejuízos consecutivos ou irregularidades na divulgação.
Diversificação: Evite concentração excessiva em ações de risco ou setores específicos. Uma carteira diversificada reduz o impacto de uma ação deslistada.
Monitoramento periódico: Verifique relatórios financeiros, comunicados e sinais de alerta, como marcações “ST”. Caso identifique risco elevado, considere reduzir ou eliminar a posição.
Decisão final após a deslistagem: manter ou vender?
Ao enfrentar uma ação deslistada, o investidor deve responder:
Se a avaliação indicar prejuízo: Se houver alguém disposto a comprar, venda imediatamente. Não espere uma recuperação improvável, pois a liquidez é baixa e o risco elevado.
Se a avaliação indicar potencial de lucro: Pode manter, acompanhando anúncios de recompra ou reabertura de capital. Contudo, essa situação é rara e geralmente ocorre em privatizações voluntárias.
Caso haja possibilidade de re-listagem: Embora rara, há casos de empresas que, após reestruturação, retornam ao mercado. Nesse cenário, o investidor pode decidir manter ou vender, dependendo do momento de mercado.
A verdadeira estratégia de investimento está em não apenas prever movimentos, mas em se proteger antes que o risco se concretize e reagir rapidamente às oportunidades. Compreender o funcionamento das ações deslistadas é fundamental para essa sabedoria.
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Ações descontinuadas: Guia final obrigatório para investidores
Muitos investidores ficam assustados ao ouvir falar em “ações deslistadas”, acreditando que suas ações podem desaparecer de um dia para o outro. Mas, na realidade, desde que se tenha informações atualizadas e compreenda os mecanismos, ainda há maneiras de minimizar perdas e até reverter a situação em certos casos. Este artigo analisa profundamente a história e o presente das ações deslistadas, ajudando você a evitar caminhos errados na sua jornada de investimento.
O que são ações deslistadas? Por que as empresas são deslistadas
Ações deslistadas são aquelas que estavam negociadas na bolsa de valores, mas deixam de estar por não atenderem aos critérios de listagem ou por solicitação voluntária, tendo sua negociação encerrada. Uma vez deslistadas, os investidores não poderão mais comprar ou vender na bolsa, mas isso não significa que as ações desapareçam completamente; apenas sua liquidez cai drasticamente.
É importante distinguir entre deslistagem e desregulamentação. Deslistagem ocorre quando a empresa sai da bolsa, enquanto desregulamentação refere-se à suspensão ou encerramento de negociação em mercados de balcão (OTC). Os impactos para o investidor também diferem.
As ações deslistadas podem ser removidas por quatro motivos principais:
1. Deslistagem forçada por deterioração financeira
Perda contínua, patrimônio negativo, relatórios de auditores com opiniões negativas ou indefinidas podem levar à deslistagem. Um exemplo famoso é a Chesapeake Energy, dos EUA, que entrou em falência em junho de 2020 e reestruturou-se em fevereiro de 2021. Essas ações representam maior risco para o investidor.
2. Deslistagem por violação de regras de divulgação
Ocorreram por não divulgar informações importantes, reportar receitas falsas ou por uso de informações privilegiadas. Após a revelação de fraudes financeiras da Luckin Coffee em abril de 2020, a empresa foi retirada da NASDAQ, servindo de alerta para investidores cautelosos na escolha de ações.
3. Deslistagem voluntária por privatização
Algumas empresas optam por sair da bolsa por aquisição ou privatização. A Dell Technologies, que saiu da NASDAQ em 2013, é um exemplo. Em geral, essa saída voluntária costuma vir acompanhada de oportunidades de recompra.
4. Deslistagem por baixa de valor de mercado
Quando o valor de mercado da empresa fica abaixo do mínimo exigido pela bolsa por vários anos, ela pode ser deslistada. Essas ações apresentam risco relativamente menor, mas a liquidez continua sendo uma preocupação.
Os quatro desfechos possíveis para ações deslistadas: como seu valor pode evoluir
Após a deslistagem, o destino do valor da ação depende do motivo. É fundamental entender que diferentes cenários levam a resultados distintos:
Cenário 1: Recompra por privatização — potencial de valorização
Quando a participação de ações negociadas livremente é baixa (10-20%), os principais acionistas podem recomprar suas ações a preços elevados em períodos específicos. Essas ações podem se transformar em boas oportunidades, desde que o investidor acompanhe os anúncios da empresa e aguarde a recompra.
Cenário 2: Falência e liquidação — valor zerado
O cenário mais pessimista. Em processos de falência, a ordem de pagamento é credores → acionistas preferenciais → acionistas comuns. Como acionista comum, você receberá apenas o que sobrar, muitas vezes nada. Essas ações tornam-se inúteis, praticamente papel.
Cenário 3: Queda de valor — venda com desconto
Se a empresa enfrenta declínio e seu valor de mercado despenca, a liquidez das ações deslistadas fica severamente prejudicada. Pode haver compradores no mercado secundário ou fora dele, mas a preços muito abaixo do valor de compra. Caso contrário, o investidor pode perder tudo, com perdas de até 100%.
Cenário 4: Deslistagem por irregularidades — futuro incerto
Ações deslistadas por violação de regras de divulgação podem ficar “congeladas” enquanto a empresa passa por processos legais. Durante esse período, o investidor fica sem acesso ao capital investido, aguardando uma resolução que pode levar anos.
Processo de deslistagem e sinais de alerta
A deslistagem não ocorre de repente; geralmente leva meses, dando tempo ao investidor para agir. Conhecer o processo ajuda a identificar oportunidades de saída:
Fase de aviso: A bolsa envia uma “notificação de advertência”, e o nome da ação recebe um marcador como “ST” ou um asterisco (exemplo: “*XX eletrônico”). Este é o primeiro sinal de alerta. Nesse momento, deve-se ficar atento e avaliar riscos.
Período de recuperação: A empresa tem de 3 a 6 meses de “prazo de recuperação”, podendo apresentar relatórios adicionais ou atrair investidores para melhorar sua situação financeira. Se a empresa agir de forma proativa, o risco de deslistagem pode diminuir.
Fase de deliberação: Se as ações não melhorarem, a bolsa realiza uma reunião de deliberação para decidir oficialmente pela deslistagem. A partir daí, a probabilidade de retirada do mercado aumenta significativamente.
Encerramento: Anúncio oficial da data de deslistagem, e após o último dia de negociação, as ações deixam de ser negociadas na bolsa, entrando em fase de negociação fora de mercado ou liquidação.
Cinco estratégias para lidar com ações deslistadas
Quando a deslistagem é inevitável, o investidor deve adotar estratégias específicas, dependendo da situação:
1. Acompanhar atentamente os comunicados da empresa
Antes da deslistagem, a empresa divulga no “Observatório de Informações” a data de encerramento e possíveis alternativas. O investidor deve monitorar essas informações ou consultar seu corretor para verificar opções como recompra ou transferência para o mercado de balcão. Agir rapidamente é fundamental.
2. Avaliar e participar de recompra
Se a empresa oferecer recompra, o investidor deve cumprir o prazo para participar, avaliando se o preço de recompra é justo e se vale a pena continuar com o investimento. A participação pode garantir algum retorno, caso a recompra seja bem-sucedida.
3. Transferir para o mercado de balcão (OTC)
Algumas ações deslistadas continuam negociando em mercados de balcão. Apesar de menor liquidez, ainda é possível comprar e vender por corretoras. Se a empresa melhorar sua situação, há chances de reabrir o capital futuramente, justificando manter a posição.
4. Transferência por acordo fora de mercado
Se não houver recompra ou mercado de balcão, o investidor pode negociar com outros acionistas para transferir suas ações por meio de acordo privado, mediante transferência de propriedade na companhia. Ainda há uma saída possível, embora mais complexa.
5. Compensar perdas por falência
Se a ação for considerada irrecuperável por falência, o investidor pode declarar a perda como prejuízo na declaração de Imposto de Renda, reduzindo o imposto devido sobre ganhos futuros. Consultar um contador é recomendado para garantir a correta declaração.
A diferença entre ações deslistadas e ações em suspensão
Muitos investidores iniciantes confundem “suspensão” com “deslistagem”, levando a decisões equivocadas. Na prática, há diferenças essenciais:
Suspensão ocorre por eventos como reestruturações ou oscilações anormais, sendo temporária. Deslistagem é definitiva, exigindo ação rápida do investidor para evitar perdas maiores.
Como prevenir riscos de deslistagem? Proteja seu portfólio
Ao invés de reagir passivamente, é melhor prevenir:
Filtragem na escolha de ações: Antes de comprar, analise o histórico financeiro, perspectivas de mercado, conformidade com requisitos de listagem e sinais de problemas, como prejuízos consecutivos ou irregularidades na divulgação.
Diversificação: Evite concentração excessiva em ações de risco ou setores específicos. Uma carteira diversificada reduz o impacto de uma ação deslistada.
Monitoramento periódico: Verifique relatórios financeiros, comunicados e sinais de alerta, como marcações “ST”. Caso identifique risco elevado, considere reduzir ou eliminar a posição.
Decisão final após a deslistagem: manter ou vender?
Ao enfrentar uma ação deslistada, o investidor deve responder:
Se a avaliação indicar prejuízo: Se houver alguém disposto a comprar, venda imediatamente. Não espere uma recuperação improvável, pois a liquidez é baixa e o risco elevado.
Se a avaliação indicar potencial de lucro: Pode manter, acompanhando anúncios de recompra ou reabertura de capital. Contudo, essa situação é rara e geralmente ocorre em privatizações voluntárias.
Caso haja possibilidade de re-listagem: Embora rara, há casos de empresas que, após reestruturação, retornam ao mercado. Nesse cenário, o investidor pode decidir manter ou vender, dependendo do momento de mercado.
A verdadeira estratégia de investimento está em não apenas prever movimentos, mas em se proteger antes que o risco se concretize e reagir rapidamente às oportunidades. Compreender o funcionamento das ações deslistadas é fundamental para essa sabedoria.