Entenda em um artigo a assembleia de acionistas da Apple em 2026: 5 tópicos, 1 rejeitado, Tim Cook não se aposentará

Nos Estados Unidos, em 24 de fevereiro, a Apple realizou a Assembleia Geral de Acionistas de 2026.

Nesta assembleia, os acionistas da Apple aprovaram por votação todas as quatro propostas de gestão: nomeação do conselho de administração, contratação de firma de contabilidade, votação sobre remuneração executiva e plano de ações para diretores não funcionários, e rejeitaram a única proposta apresentada por acionistas, a “Auditoria de Conexões com a China”, mantendo o resultado alinhado com a recomendação do conselho.

Proposta do conselho: buscar estabilidade e foco na continuidade

A Assembleia de Acionistas de 2026 da Apple contou com cinco itens de votação, sendo quatro propostas da gestão.

O conselho da Apple recomendou aos acionistas votar a favor (FOR) nessas quatro propostas, que foram todas aprovadas.

  • Primeiro: eleição dos membros do conselho de administração

Em janeiro deste ano, a Apple indicou a reeleição de oito membros atuais, com mandato até a conclusão da assembleia de 2027. Os acionistas aprovaram todos os candidatos nesta assembleia.

Estruturalmente, o conselho da Apple mantém uma composição predominantemente de membros experientes, com a maioria com experiência em gestão de empresas multinacionais ou grandes instituições, abrangendo setores como tecnologia, marcas de consumo, biomedicina, defesa aeroespacial e investimentos financeiros. A maioria dos membros é independente, preservando a autonomia na governança e supervisão da empresa.

Os oito membros reeleitos foram:

  • Segundo: renovação do contrato com a Ernst & Young como firma de auditoria independente para o exercício fiscal de 2026

  • Terceiro: votação sobre remuneração executiva

A assembleia aprovou o plano de remuneração para os executivos de 2025.

De acordo com os documentos divulgados, o CEO Tim Cook teve uma remuneração total alvo de 59 milhões de dólares em 2025, incluindo um salário base de 3 milhões, incentivo em dinheiro de 6 milhões e um prêmio de ações de 50 milhões, totalizando uma remuneração real de 74,3 milhões de dólares.

Desses 74,3 milhões, além do salário e do prêmio de ações, cerca de 1,76 milhão de dólares correspondem a outros benefícios, como contribuições para planos de aposentadoria (401(k)) de 21 mil dólares, seguro de vida de 2.964 dólares, compensação em dinheiro por férias de 57,7 mil dólares, despesas de viagem aérea pessoal de 787.9 mil dólares e gastos com segurança de 887.9 mil dólares.

Comparado aos aproximadamente 99,4 milhões de dólares em 2023 e 63,2 milhões de dólares em 2024, o valor de 2025 fica na mediana dos últimos três anos. O conselho recomendou aos acionistas votar a favor, e a proposta foi aprovada.

  • Quarto: revisão do plano de ações para diretores não funcionários

Os acionistas aprovaram a versão revisada do “Plano de Ações para Diretores Não Funcionários”, destinado a oferecer incentivos de ações a esses diretores. O conselho recomendou a aprovação, e os acionistas apoiaram.

Proposta de acionistas: riscos na China e na cadeia de suprimentos em foco

A única proposta de acionistas nesta assembleia foi a “Auditoria de Conexões com a China”, apresentada pelo Centro de Pesquisa em Políticas Públicas dos EUA (NCPPR). A proposta solicita que a Apple elabore um relatório especial avaliando os riscos de exposição da empresa no mercado chinês e na cadeia de suprimentos.

Os riscos abordados na proposta incluem:

  • Tarifas de importação de até 145% sobre produtos chineses em 2025;

  • Expansão da produção na Índia e no Vietnã, ainda dependente de componentes chineses;

  • Possível impacto na produção no exterior se o suporte aos engenheiros for limitado;

  • Risco de ações judiciais devido à insuficiente divulgação desses riscos.

Os proponentes argumentam que esses fatores podem afetar os acionistas a longo prazo.

O conselho da Apple recomenda votar contra, alegando que a empresa já divulgou adequadamente os riscos internacionais e da cadeia de suprimentos em relatórios anuais, tornando desnecessária a elaboração de um relatório adicional. Além disso, o conselho destacou que a proposta possui forte caráter instrutivo, podendo limitar a autonomia operacional da empresa em um ambiente internacional complexo.

Por fim, os acionistas rejeitaram a proposta.

Apesar de a questão dos riscos no mercado chinês ter sido levantada na assembleia, os dados financeiros mostram outro lado.

No primeiro trimestre fiscal de 2026, a região da Grande China registrou receita de 25,526 bilhões de dólares, aumento de 22% em relação ao ano anterior. Isso demonstra que o mercado chinês continua sendo uma parte fundamental dos negócios da Apple.

Para a Apple, a China é tanto uma importante base de fabricação quanto um mercado consumidor de produtos de alta gama. Como equilibrar uma cadeia de suprimentos diversificada com a estabilidade do mercado principal continuará a influenciar as estratégias futuras da empresa.

Preparando a sucessão: mudanças na liderança sob Cook

Nova geração do time principal da Apple

Desde que Tim Cook assumiu como CEO em 2011, o valor de mercado da Apple cresceu de cerca de 3,5 trilhões de dólares para mais de 4 trilhões, e a receita trimestral passou de menos de 30 bilhões para mais de 100 bilhões de dólares.

Com várias lideranças-chave se aposentando ou deixando a empresa, a gestão da Apple passa por uma grande reestruturação, criando condições para uma possível sucessão e planejamento estratégico futuro.

Recentemente, na reunião geral de funcionários, Cook mencionou de forma rara o tema aposentadoria, dizendo que “quando se chega a certa idade, é natural que algumas pessoas optem por se aposentar”, embora não tenha confirmado se pretende se aposentar em curto prazo.

No que diz respeito às mudanças de pessoal, entre o final de 2025 e o início de 2026, vários executivos de longa data, incluindo o ex-COO Jeff Williams e a responsável por questões ambientais e políticas, Lisa Jackson, deixaram a empresa.

Nesse contexto, o vice-presidente sênior de engenharia de hardware, John Ternus, vem se destacando como potencial sucessor. Com quase 25 anos na Apple, experiência em design de produtos e engenharia, e presença frequente em eventos de lançamento e atividades públicas, ele vem sendo considerado uma possível liderança futura.

A Apple também realizou ajustes na equipe de gestão central, reforçando áreas como inovação em hardware, desenvolvimento de produtos XR, design de interfaces homem-máquina e pesquisa tecnológica. Essas mudanças visam manter a competitividade e inovação dos produtos, além de facilitar a transição de liderança e o planejamento estratégico.

As recentes mudanças de pessoal não representam apenas uma rotatividade de cargos, mas uma estratégia deliberada de atualização da liderança, enviando ao mercado sinais de que a era Cook está se preparando para uma nova geração de liderança.

Estratégia de IA: o próximo passo da inteligência da Apple

Embora a assembleia de 2026 não tenha abordado propostas específicas sobre IA, isso não significa que o tema perdeu destaque.

A estratégia atual da Apple é bastante clara: não mais focar apenas na quantidade de parâmetros de algoritmos, mas usar a IA como uma “cola” que conecta hardware, XR (realidade estendida) e serviços ecológicos, para enfrentar a crescente competição do setor.

A Apple busca redefinir a interação entre usuário e mundo físico por meio da IA.

Essa estratégia se reflete na sua ambiciosa rota de desenvolvimento de XR: espera-se que o headset Air sem tela, previsto para 2026, seja uma entrada leve para o mercado, tentando incorporar percepção em tempo real por IA; e, em 2027, os óculos inteligentes com display, que planejam fundir AR e computação espacial, para transformar completamente a forma de apresentar informações.

Nesse processo, a Siri deixará de ser apenas uma assistente de voz, evoluindo para um centro inteligente capaz de “ver” e entender o ambiente ao seu redor, por meio da combinação com tecnologias de patentes visuais.

No fundo, a estratégia de IA da Apple é uma disputa por “densidade de experiência”: a IA não é só software, mas uma intuição de percepção ambiental.

Disciplina financeira e visão de longo prazo: equilíbrio entre custos e expansão

O desempenho do primeiro trimestre fiscal de 2026 foi impressionante — receita de 143,756 bilhões de dólares, aumento de 16% no lucro líquido, e margem bruta de 48,2%. Por trás desses números, a gestão da Apple está ativamente lidando com o aumento estrutural de custos, ao mesmo tempo em que investe na estratégia futura.

Primeiro, a Apple adota uma estratégia de premiumização para lidar com a pressão de custos.

Com custos crescentes de chips de processo avançado, memória de alta largura de banda e infraestrutura da cadeia de suprimentos, a Apple enfrenta desafios de custos na cadeia. A empresa consegue compensar esse aumento com a forte performance de suas linhas de iPhone 17 Pro e Macs de alta gama, usando a margem de marca para manter a rentabilidade, demonstrando sua capacidade de precificação e controle de custos no segmento premium.

Em segundo lugar, os investimentos em P&D continuam elevados.

O gasto em P&D no primeiro trimestre atingiu 10,887 bilhões de dólares, crescimento de 32%, muito acima do crescimento da receita. Esses recursos são usados para otimizar sistemas básicos, desenvolver chips próprios de geração cruzada e avançar em tecnologias e ecossistemas de dispositivos XR.

Terceiro, a Apple promove uma integração entre hardware, serviços e novas tecnologias.

Os produtos premium, como iPhone e Mac, sustentam sua base de hardware, enquanto os 2,5 bilhões de dispositivos ativos geram receitas de serviços, incluindo App Store, assinaturas e publicidade, garantindo fluxo de caixa estável. Além disso, a empresa colabora com plataformas tecnológicas externas e realiza aquisições estratégicas para fortalecer capacidades de computação e software, elevando a experiência geral de produtos e serviços.

Ao revisar o primeiro trimestre, a Apple mantém um equilíbrio entre controle de custos e investimentos de longo prazo, usando preços premium para amortecer pressões de custos de curto prazo e ampliando os investimentos em P&D para sustentar o crescimento futuro. Essa estratégia sólida e direcionada oferece estabilidade na transição de liderança e ajuda a manter a competitividade no mercado.

Fonte: Tencent Technology

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