Ex-soldado americano acusado de negociação com informação privilegiada Polymarket chega ao fim de sua zona cinzenta?

Escrito por: Shannon@金色财经

O caso de vazamento de informações sobre a prisão de Maduro, que vinha causando grande alvoroço, finalmente foi resolvido.

Em 23 de abril de 2026, o Departamento de Justiça dos EUA divulgou uma denúncia na Corte Federal de Manhattan, prendendo um soldado americano que tinha conhecimento prévio do plano de prisão de Maduro e usou essa informação para apostar na Polymarket. Ele é um soldado ativo do Exército dos EUA, de 38 anos, chamado Gannon Ken Van Dyke.

Este é o primeiro caso criminal concreto envolvendo a questão de “inside trading em mercados de previsão”, uma longa sombra jurídica que pairava sobre o setor. Este soldado será registrado como o primeiro réu por inside trading em mercados de previsão, marcando um precedente na jurisprudência federal americana.

I. Núcleo do Caso: Uma operação militar, um mercado de previsão e a ganância de um soldado

Van Dyke é soldado ativo do Exército dos EUA, estacionado na base militar de Fort Bragg, na Carolina do Norte. Por sua função, assinou um acordo de confidencialidade, comprometendo-se a “não divulgar, por escrito, verbalmente, por comportamento ou de qualquer outra forma, qualquer informação confidencial ou sensível”.

No entanto, a partir de 8 de dezembro de 2025, ele começou a participar do planejamento e execução de uma operação militar codinome “Ação Decisão Absoluta” (Operation Absolute Resolve) — uma missão secreta dos EUA para capturar Nicolás Maduro na Venezuela. Durante esse período, ele obteve informações confidenciais sobre a operação.

O que ele fez com essas informações? Apostou na Polymarket.

II. Linha do tempo detalhada das transações: 13 apostas, US$33.034 de capital, US$400 mil de lucro

8 de dezembro de 2025

Van Dyke começou a participar do planejamento e execução da “Ação Decisão Absoluta”, obtendo informações confidenciais sobre a operação militar.

14 de dezembro de 2025

Ele criou antecipadamente um endereço de e-mail desvinculado de seu nome real, preparando-se para esconder sua identidade posteriormente.

26 de dezembro de 2025

Criou uma conta na Polymarket, depositou fundos e começou a negociar mercados relacionados a Maduro e à Venezuela.

De 27 de dezembro de 2025 a 26 de janeiro de 2026 (fase de apostas)

Realizou cerca de 13 transações, todas apostando na direção “SIM”, envolvendo contratos como: “Exército dos EUA entrará na Venezuela antes de 31 de janeiro”; “Maduro será deposto antes de 31 de janeiro”; “EUA invadirão a Venezuela antes de 31 de janeiro”; “Trump usará força militar contra a Venezuela antes de 31 de janeiro”. Com informações confidenciais, investiu aproximadamente US$33.034.

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026 (dia da ação)

As forças americanas realizaram uma incursão antes do amanhecer na residência de Maduro em Caracas, prendendo-o e sua esposa. Horas depois, o presidente dos EUA anunciou publicamente o sucesso da operação. Imediatamente, a Polymarket liquidou vários contratos relacionados como “SIM”.

No mesmo dia da operação, Van Dyke retirou a maior parte de seus ganhos ilegais da conta na Polymarket e transferiu a maior parte do dinheiro para um cofre de criptomoedas no exterior, posteriormente depositando em uma nova conta de corretora online.

Lucro total: US$409.881.

6 de janeiro de 2026 (fase de encobrimento)

Após a divulgação da operação, relatos de negociações anormais relacionadas a Maduro começaram a surgir na mídia e nas redes sociais. Van Dyke começou a esconder sua identidade: alegando “não conseguir acessar seu e-mail de registro”, solicitou à Polymarket a exclusão de sua conta; no mesmo dia, alterou o e-mail de registro de sua conta na corretora de criptomoedas para aquele criado antecipadamente em 14 de dezembro, que não continha seu nome verdadeiro.

23 de abril de 2026 (dia do processo)

O Departamento de Justiça divulgou a denúncia. Van Dyke foi acusado de três crimes sob a Lei de Comércio de Mercadorias, um de fraude telemática e um de transações ilegais de moeda, podendo pegar até 50 anos de prisão. Ele compareceu ao Tribunal Federal do Distrito Leste da Carolina do Norte, e o caso foi posteriormente transferido para o juiz Margaret M. Garnett, na Corte Distrital do Sul de Nova York.

No caso de Van Dyke, a denúncia atualmente indica apenas um réu, ele próprio. Não há menção a cúmplices ou coautores. Van Dyke criou a conta sozinho, apostou sozinho, transferiu fundos sozinho e realizou ações de encobrimento sozinho.

Porém, as autoridades ainda investigam se há outros envolvidos com conhecimento do esquema, sem divulgação oficial até o momento.

III. Resumo dos casos de manipulação e inside trading na Polymarket

O caso Van Dyke não é isolado; é o primeiro de uma série de escândalos de inside trading na Polymarket ocorridos no último ano, que resultaram em acusações criminais.

A seguir, a lista completa de casos documentados até agora:

Caso 1: Van Dyke (EUA, dezembro de 2025 a janeiro de 2026) — Denunciado

Soldado do Exército dos EUA usou informações confidenciais da “Ação Decisão Absoluta” para apostar cerca de US$33.034 na Polymarket, obtendo lucro de aproximadamente US$409.881, sendo processado em 23 de abril de 2026.

Caso 2: Caso de Insider na Operação Lion Rising (2025-2026) — Denunciado, 2 presos

Em junho de 2025, um major da reserva da Força Aérea de Israel participou de uma reunião confidencial sobre a “Operação Lion Rising” — ataque israelense de 12 dias contra o Irã — e soube a data exata do primeiro ataque. Ele enviou mensagens via WhatsApp a um amigo civil, informando que o ataque ocorreria na noite de 12 de junho, sugerindo que ele aumentasse suas apostas.

O civil abriu uma conta na Polymarket e apostou, prevendo com sucesso quatro eventos: ataque israelense ao Irã na sexta-feira; ataque antes do final de junho de 2025; etc. Segundo a mídia israelense, os dois lucraram cerca de US$162.663, divididos igualmente.

Em setembro, o major enviou novas informações sobre ataques israelenses ao Iêmen, ganhando cerca de US$5.000. Depois, continuaram tentando apostar na próxima rodada de ataques ao Irã, mas desistiram após posts nas redes sociais sobre suas contas, apagando todas as conversas no WhatsApp.

Investigações indicam que pelo menos mais três membros da Força Aérea de Israel foram interrogados por suspeita de usar informações confidenciais para apostar na Polymarket. O principal investigador afirmou que há uma “cultura de uso indevido de informações confidenciais” na força aérea. Um membro interrogado revelou: “Toda a esquadrilha está usando a Polymarket, toda a força aérea está apostando.”

Dois principais envolvidos (um major reserva e um civil) foram acusados de “grave ameaça à segurança”, corrupção e obstrução de justiça, e estão sob custódia até o fim do processo.

Caso 3: Caso de insider na lista de buscas do Google (2025) — Não denunciado, identidade não revelada

No final de 2025, um trader com pseudônimo “AlphaRaccoon” fez apostas precisas na lista de buscas do Google de 2025, antes do lançamento oficial, lucrando cerca de US$1 milhão em 24 horas.

Ele também previu com precisão a data de lançamento de um novo produto do Google, ganhando mais US$150.000. Das 23 apostas, 22 foram vencedoras, o que é estatisticamente improvável por sorte, levando observadores a suspeitar de inside trading. A comunidade acredita que o trader seja um funcionário do Google. Nenhum foi preso ou denunciado até o momento.

Caso 4: Caso de insider sobre ataques ao Irã e política tarifária no Gabinete (2025-2026) — Em investigação

Em fevereiro de 2026, seis contas na Polymarket apostaram que “os EUA atacarão o Irã antes de 28 de fevereiro de 2026”, e o evento ocorreu como previsto. Em 23 de março, após Trump ameaçar “destruir” usinas de energia iranianas, o volume de apostas na queda do petróleo disparou, e após Trump anunciar “diálogo muito bom” com o Irã, os preços do petróleo caíram abruptamente. Especialistas consideram as negociações “claramente anômalas”.

Investigações do BBC revelam que comportamentos semelhantes de apostas anormais remontam a três meses após o início do segundo mandato de Trump, em abril de 2025, quando ele anunciou a suspensão temporária de tarifas de “Dia de Libertação”. Ainda não se sabe quem está por trás dessas operações, que continuam sob investigação.

Caso 5: Apostas internas na divulgação do navegador da OpenAI (outubro de 2025) — Não investigado

Em outubro de 2025, um novo usuário na Polymarket apostou US$40.000 prevendo o lançamento de um navegador de IA pela OpenAI até o final do mês, lucrando quase US$20%. A precisão das apostas e o momento da criação da conta levantaram suspeitas de inside trading, mas ninguém foi denunciado até agora.

Caso 6: Caso de manipulação com ventilador de sensores meteorológicos na França (abril de 2026) — Confirmado como manipulação de mercado

Na Polymarket, há um contrato de previsão do tempo que depende do sensor de temperatura do aeroporto de Charles de Gaulle. Um “gênio malicioso” levou um secador de cabelo ao aeroporto, apontando para o sensor e soprando, artificialmente elevando a leitura de temperatura. Assim, uma aposta de temperatura extrema, com apenas 1% de chance de vitória, virou realidade, manipulando o resultado do contrato. A França abriu investigação. Veja reportagem anterior do 金色财经: Polymarket manipula com secador e lucra US$34 mil.

Caso 7: Terceiro membro da Força Aérea de Israel apostando em Iêmen e Irã (2025-2026) — Em investigação

Segundo registros na Wikipedia da Polymarket, além dos principais casos, um membro da esquadrilha israelense foi interrogado por apostar na guerra de 12 dias contra o Irã, com lucro estimado em US$46.000.

Caso 8: Candidato ao Congresso na Kalshi apostando na própria eleição (2026) — Punido

A Kalshi aplicou multas e bloqueou por cinco anos três candidatos ao Congresso por apostarem na própria candidatura após o início das negociações, completando um ciclo de arbitragem interna com informações privilegiadas.

IV. Conclusão: Uma ofensiva oficial contra o inside trading em mercados de previsão?

Shayne Coplan, CEO da Polymarket, defendeu o inside trading em entrevista à CBS, dizendo que “ter insiders no mercado é algo positivo” e que a plataforma “oferece incentivos econômicos para que as pessoas divulguem informações ao mercado”. Embora essa posição tenha respaldo acadêmico na teoria de eficiência de mercado, gerou forte controvérsia moral e legal.

O procurador de Manhattan, Jay Clayton, já alertou em uma conferência de direito de valores mobiliários: “Por ser um mercado de previsão, isso não significa que você está livre de acusações de fraude.” O escritório de investigação de fraudes de valores e commodities de Manhattan já se reuniu com representantes da Polymarket para discutir como a legislação atual se aplica às possíveis condutas ilícitas do setor.

Pesquisadores de Harvard estimam que, nos casos documentados, insiders que apostaram antecipadamente na Polymarket podem ter lucrado cerca de US$143 milhões.

A denúncia contra Van Dyke demonstra duas coisas: primeiro, que a aplicação da lei federal não é excluída pelo fato de ser um “mercado de previsão”; segundo, que os insiders que apostam anonimamente em plataformas de criptomoedas, acreditando que suas carteiras blockchain oferecem proteção perpétua, subestimam a capacidade de rastreamento do FBI.

Como afirmou o procurador-geral adjunto Todd Blanche em comunicado: “O acesso amplo a mercados de previsão é uma fenômeno relativamente novo, mas a legislação federal que protege informações de segurança nacional é totalmente aplicável.”

O significado histórico deste caso não está no valor de US$400 mil de lucro, mas sim no fato de marcar a primeira ofensiva oficial do sistema judiciário dos EUA contra o grey area do inside trading em mercados de previsão.

Depois dele, qualquer pessoa com acesso a informações confidenciais do governo e que aposte em contratos na Polymarket deve reconsiderar sua relação risco-retorno.

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